DGS publica primeiras orientações nacionais para a alimentação em creches

Redação Jornal Globo
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A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou, em 28 de setembro de 2026, as primeiras orientações nacionais para a alimentação em creches e em outras respostas sociais destinadas a crianças até aos 3 anos. O documento reúne recomendações para apoiar as instituições na organização das refeições e na escolha dos alimentos oferecidos durante uma fase importante do desenvolvimento infantil.

As orientações abrangem diferentes aspetos da alimentação nas creches em Portugal, incluindo a composição das refeições, o tamanho das porções, a progressão das texturas e a adequação dos alimentos às idades e fases de desenvolvimento. A proposta é contribuir para práticas mais uniformes e para uma oferta alimentar segura e nutricionalmente adequada às crianças pequenas.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, a publicação tem caráter inédito por estabelecer, a nível nacional, uma referência específica para a alimentação em creches e respostas sociais dirigidas a esta faixa etária. O material foi divulgado no âmbito dos destaques da autoridade de saúde.

Menos açúcar, sal e alimentos ultraprocessados

Entre os principais pontos destacados está a recomendação de reduzir a presença de açúcar, sal e alimentos ultraprocessados nas refeições oferecidas pelas instituições. A orientação acompanha a preocupação de promover hábitos alimentares mais saudáveis desde os primeiros anos de vida, quando as crianças começam a formar preferências e rotinas que podem permanecer ao longo do tempo.

A recomendação não se limita à retirada de determinados produtos. O documento também valoriza a oferta de refeições diversificadas, com escolhas ajustadas às necessidades das crianças e ao seu desenvolvimento. A organização da alimentação deve considerar a variedade dos alimentos, as características das preparações e a forma como cada refeição é apresentada aos menores.

A RTP Notícias, em informação divulgada em 29 de setembro, destacou que as recomendações também abordam a facilitação da amamentação, além da redução de sal, açúcar e alimentos ultraprocessados. A repercussão da medida reforçou a abrangência do documento, que trata tanto da composição da dieta quanto das condições adequadas para a alimentação infantil.

Porções e texturas devem acompanhar o desenvolvimento

Outro eixo das orientações é a adaptação das porções e das consistências dos alimentos. Crianças até aos 3 anos passam por mudanças rápidas nas capacidades motoras e no desenvolvimento, o que exige atenção à forma como os alimentos são preparados e servidos. Por isso, as instituições são orientadas a considerar as diferentes idades e fases de desenvolvimento na definição das refeições.

A progressão das texturas é relevante para que a alimentação acompanhe a evolução da criança, sem desconsiderar a necessidade de segurança durante as refeições. Da mesma forma, o tamanho das porções deve ser adequado à faixa etária, evitando que a oferta seja definida de maneira igual para todas as crianças atendidas pela creche ou pela resposta social.

O documento também pode servir como referência para profissionais envolvidos no planeamento, na preparação e na distribuição das refeições. Na prática, a adoção das recomendações exige articulação entre as instituições, as equipas responsáveis pela alimentação e as famílias, especialmente quando existem necessidades específicas relacionadas ao desenvolvimento ou à rotina alimentar da criança.

Participação de entidades públicas

A elaboração das orientações contou com a colaboração do Instituto da Segurança Social, do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação e da Garantia para a Infância. A participação dessas entidades evidencia o caráter intersetorial da iniciativa, que envolve saúde, apoio social e acompanhamento das condições oferecidas às crianças.

Ao reunir critérios nacionais, a DGS procura apoiar creches e outras respostas sociais na adoção de práticas consistentes. As orientações também oferecem uma base comum para instituições com diferentes modelos de funcionamento, contribuindo para que a alimentação seja tratada como parte do cuidado, da saúde e do desenvolvimento infantil.

Para as famílias, a publicação permite compreender quais princípios devem orientar as refeições oferecidas durante o período em que as crianças permanecem nas instituições. Para educadores, responsáveis técnicos e equipas de alimentação, o material apresenta parâmetros relacionados à escolha dos alimentos, às porções e às texturas, sem substituir a avaliação individual quando houver necessidades específicas.

Uma referência nacional para a primeira infância

As novas orientações inserem a alimentação das crianças pequenas no conjunto de ações de promoção da saúde e prevenção de problemas associados a hábitos alimentares inadequados. A redução de açúcar, sal e ultraprocessados, combinada com maior diversidade e adequação das refeições, pretende favorecer escolhas mais equilibradas desde a primeira infância.

O documento da DGS está destinado a creches e a outras respostas sociais para crianças até aos 3 anos. A publicação não apresenta apenas uma lista de alimentos, mas recomendações para organizar a oferta alimentar de forma compatível com a idade e o desenvolvimento. A aplicação das orientações deverá ser analisada pelas instituições de acordo com as suas rotinas e responsabilidades, tendo como referência o material oficial.

Com a divulgação, Portugal passa a contar com uma orientação nacional específica para apoiar a alimentação em creches. A medida coloca no centro do debate a qualidade das refeições, a segurança alimentar e a formação de hábitos saudáveis num período decisivo para o crescimento das crianças.

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