Sustentabilidade e boas práticas no campo como exigência crescente do agronegócio brasileiro

Diego Velázquez
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Wander Aguilera Almeida

No cenário atual, em que compradores nacionais e internacionais passam a exigir cada vez mais transparência sobre a origem e as condições de produção dos alimentos que consomem, a sustentabilidade deixou de ser tema restrito a discussões ambientais isoladas e se tornou variável central nas negociações conduzidas dentro do agronegócio brasileiro. Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio, acompanha essa transformação de perto, observando como produtores que adotam boas práticas ambientais e sociais tendem a conquistar posição mais favorável em negociações comerciais, especialmente quando o destino da produção envolve mercados consumidores mais exigentes em relação a critérios de origem e rastreabilidade. 

Essa mudança de cenário, ainda em curso, exige que toda a cadeia produtiva, da fazenda até o comprador final, repense processos historicamente conduzidos sem maior preocupação com aspectos socioambientais, em um movimento que tende a se intensificar nos próximos anos conforme novas regulamentações internacionais entram em vigor.

Por que a sustentabilidade ganhou espaço nas negociações de grãos?

A pressão por práticas sustentáveis no agronegócio não decorre exclusivamente de exigências regulatórias internas, mas também de movimentos internacionais que vinculam o acesso a determinados mercados consumidores ao cumprimento de critérios ambientais específicos, como rastreabilidade da origem da produção e respeito a áreas de preservação ambiental. Esse cenário tem levado compradores a incorporar critérios de sustentabilidade diretamente em seus processos de seleção de fornecedores agrícolas. 

Conforme explica Wander Aguilera Almeida, intermediadores que compreendem essa exigência crescente tendem a orientar produtores sobre a importância de documentar adequadamente suas práticas produtivas, já que a ausência dessa documentação pode comprometer o acesso a negociações mais vantajosas, independentemente da qualidade técnica do grão efetivamente produzido.

Boas práticas como diferencial competitivo

Produtores que adotam práticas reconhecidas de manejo sustentável, como rotação de culturas, uso racional de insumos agrícolas e preservação de áreas de vegetação nativa, costumam se diferenciar positivamente em negociações comerciais, especialmente diante de compradores que valorizam fornecedores capazes de comprovar conformidade ambiental ao longo de toda a cadeia produtiva. Na avaliação de Wander Aguilera Almeida, essa diferenciação tende a se ampliar nos próximos anos, à medida que exigências internacionais sobre sustentabilidade se tornam mais rigorosas, criando vantagem competitiva real para produtores que já investiram em adequação ambiental, em contraste com aqueles que ainda tratam o tema como exigência secundária ou meramente regulatória.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Intermediadores que atuam próximos aos produtores rurais ocupam posição privilegiada para orientar sobre a importância de boas práticas ambientais, funcionando como elo de comunicação entre exigências de mercado e a realidade operacional de cada propriedade rural. Essa orientação técnica contribui para que produtores compreendam o tema não como obstáculo burocrático, mas como investimento capaz de ampliar suas oportunidades comerciais futuras. Wander Aguilera Almeida reconhece nesse papel orientador uma responsabilidade relevante da atividade de intermediação, já que produtores nem sempre dispõem de acesso direto a informações detalhadas sobre exigências internacionais de sustentabilidade, dependendo de profissionais capazes de traduzir essas demandas em orientações práticas aplicáveis à realidade de cada fazenda.

Desafios para a adoção ampla de práticas sustentáveis

Apesar dos avanços observados, a adoção ampla de práticas sustentáveis enfrenta desafios relacionados a custos de adequação, especialmente entre produtores de menor porte, que dispõem de margem financeira mais limitada para investir em mudanças de processo produtivo. Esse cenário exige soluções que considerem a realidade econômica diversa do campo brasileiro, sem desconsiderar a urgência das exigências ambientais impostas por mercados consumidores cada vez mais rigorosos. Cada vez mais, estar dentro das adequações de sustentabilidade deixa de ser um detalhe para se tornar condição de existência dentro do setor, não só de um ponto de vista regulamentar, mas também de relação com clientes.

A combinação entre orientação técnica especializada e acesso facilitado a linhas de financiamento voltadas à adequação ambiental tende a representar caminho relevante para ampliar a adoção de boas práticas entre produtores de diferentes portes ao longo dos próximos anos.

Certificações e selos como instrumento de comprovação

Diante da crescente exigência por comprovação documental de práticas sustentáveis, certificações e selos voltados ao agronegócio têm ganhado relevância como instrumento capaz de atestar, perante compradores e mercados consumidores, o cumprimento de determinados critérios ambientais e sociais ao longo do processo produtivo. Esses certificados, embora exijam investimento inicial em adequação e auditoria, costumam abrir portas para negociações com compradores que priorizam fornecedores certificados.

Wander Aguilera Almeida pondera que produtores que avaliam estrategicamente quais certificações fazem sentido para seu perfil produtivo, considerando o mercado consumidor que pretendem atingir, tendem a obter retorno mais consistente sobre esse investimento do que aqueles que buscam certificações de forma genérica, sem considerar previamente sua relevância para os compradores efetivamente almejados.

Esse cuidado na escolha de certificações tende a evitar gastos desnecessários com processos que pouco agregam valor comercial real, direcionando recursos limitados para adequações que efetivamente ampliam o acesso a mercados consumidores mais exigentes em termos de sustentabilidade.

Produtores que desejam avaliar a viabilidade de diferentes certificações disponíveis no mercado podem se beneficiar de orientação técnica especializada, capaz de indicar quais opções fazem mais sentido diante do perfil produtivo e dos mercados consumidores prioritários de cada propriedade rural.

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