Tiago Schietti, empresário do setor funerário, acompanha uma frente de inovação que começa a ganhar maior destaque nas discussões sobre sustentabilidade no setor: alternativas de sepultamento que reduzem significativamente o impacto ambiental quando comparadas com os métodos tradicionais, como urnas biodegradáveis e modelos de cemitérios naturais, ainda numa fase embrionária no Brasil, mas já consolidados noutros países.
Este movimento está ligado a uma tendência ambiental mais ampla que já transformou setores como a construção civil e a energia, chegando agora ao segmento cemiterial. Os caixões tradicionais, fabricados em madeira e revestidos com produtos químicos, geram um impacto ambiental significativo, sobretudo quando produzidos em larga escala para responder à crescente procura associada ao envelhecimento da população. Este cenário abre espaço para alternativas que conciliem a dignidade do processo de despedida com a responsabilidade ambiental.
A questão que orienta este debate torna-se cada vez mais pertinente: até que ponto o setor funerário brasileiro está preparado para incorporar práticas sustentáveis que já avançam noutros mercados e o que isso significa para a infraestrutura cemiterial do país?
A resistência cultural à adoção de urnas biodegradáveis no Brasil começa a mudar
As urnas biodegradáveis, produzidas com materiais que se decompõem naturalmente sem gerar resíduos químicos persistentes, representam uma das alternativas mais debatidas no contexto da sustentabilidade funerária. Ao contrário dos caixões tradicionais, estes materiais reduzem significativamente o tempo de decomposição e o impacto ambiental associado ao processo de inumação.
Tal como assinala parte da literatura dedicada à inovação cemiterial, esta alternativa continua a enfrentar barreiras culturais no Brasil, uma vez que muitas famílias associam o caixão tradicional a uma ideia de respeito e dignidade que os produtos biodegradáveis, por apresentarem um aspeto visual mais simples, podem não transmitir da mesma forma, pelo menos no atual estágio de familiarização do público com estas opções.
Na perspetiva do empresário do setor funerário, Tiago Schietti, este tipo de resistência cultural tende a diminuir gradualmente à medida que mais famílias contactam diretamente com esta solução e percebem que a simplicidade visual do material não compromete a solenidade da cerimónia de despedida. Nos mercados onde a urna biodegradável já está mais difundida, os fornecedores investem em designs que conciliam apelo estético e sustentabilidade, oferecendo acabamentos que remetem para madeiras nobres ou tecidos naturais, sem abdicar da rápida decomposição dos materiais.

O que são os cemitérios naturais e porque continuam a ser tão raros no Brasil?
Os cemitérios naturais, modelo em que os sepultamentos ocorrem em áreas verdes preservadas, sem lápides tradicionais nem estruturas de betão, representam um conceito ainda raro no país, embora já esteja a ganhar expressão em mercados como o Reino Unido e os Estados Unidos. Este modelo procura minimizar a intervenção humana no ambiente natural, permitindo que a área destinada ao sepultamento se integre gradualmente na paisagem.
Sob a perspetiva dos empresários ligados aos cemitérios e à memorialização, a adoção deste modelo no Brasil dependeria de alterações regulamentares e de uma adaptação cultural significativa, uma vez que rompe com a lógica tradicional de memorialização baseada na marcação física permanente do local de sepultamento.
Como pode a aquamação tornar-se uma alternativa viável para as famílias brasileiras nos próximos anos?
Entre as inovações que mais rapidamente avançam no debate ambiental do setor encontra-se a aquamação, um processo de hidrólise alcalina que reduz significativamente as emissões de gases para a atmosfera quando comparado com a cremação tradicional. Embora ainda pouco difundida no Brasil, esta tecnologia já é utilizada noutros países e tende a ganhar relevância à medida que a agenda ambiental global se intensifica.
Este tipo de inovação integra um movimento mais amplo de adaptação do setor às exigências ambientais que já se tornaram padrão noutras indústrias, exigindo das empresas brasileiras atenção às tendências regulatórias internacionais que poderão, futuramente, ser adotadas no país.
Segundo o entendimento do empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Schietti, a chegada da aquamação ao Brasil dependerá não apenas da adequação regulamentar, mas também do investimento em equipamentos específicos, atualmente concentrados em poucos fornecedores internacionais, o que tende a aumentar o custo inicial de implementação para as empresas interessadas em disponibilizar esta alternativa. Este fator económico, aliado à necessidade de um processo de esclarecimento junto das famílias sobre o funcionamento da técnica, sugere que a adoção da aquamação deverá ocorrer de forma gradual, à semelhança do que aconteceu historicamente com a própria cremação tradicional, que levou décadas a consolidar-se como uma alternativa relevante ao sepultamento no Brasil.
Quais são os benefícios concretos das práticas sustentáveis no contexto funerário?
A adoção de práticas sustentáveis no setor funerário brasileiro enfrenta um dilema recorrente: como conciliar a inovação ambiental com tradições culturais profundamente enraizadas em torno dos rituais de despedida? As famílias que associam dignidade a determinados modelos de sepultamento podem resistir a alternativas mais sustentáveis, mesmo quando estas apresentam vantagens ambientais evidentes.
Este desafio exige das empresas do setor um trabalho de educação e comunicação que vá além da simples disponibilização de produtos sustentáveis, refere Tiago Schietti, explicando às famílias os benefícios concretos destas alternativas sem desrespeitar os valores culturais associados ao processo de despedida.
O futuro sustentável do setor depende da educação, não apenas da tecnologia
A expansão de práticas ambientalmente responsáveis no setor cemiterial brasileiro deverá avançar gradualmente nos próximos anos, condicionada tanto pelo desenvolvimento de novas tecnologias como pela evolução cultural das famílias relativamente às alternativas de sepultamento. Este processo, que envolve empresas geridas por empresários como Tiago Schietti, representa um dos capítulos mais relevantes da agenda ESG aplicada a um setor tradicionalmente conservador.
A combinação entre a crescente pressão ambiental e a escassez de espaço urbano sugere que as alternativas sustentáveis deixarão de ser uma exceção e passarão a integrar, de forma cada vez mais natural, o conjunto de opções disponibilizadas por cemitérios e funerárias brasileiras nas próximas décadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez