Inteligência Artificial entra numa nova fase: porque é que empresas em Portugal e no Brasil estão a acelerar os investimentos em 2026

Diego Velázquez
8 Min Read

A corrida à Inteligência Artificial deixou de ser experimental e passou a ser uma prioridade estratégica para empresas, governos e investidores dos dois lados do Atlântico.

A Inteligência Artificial (IA) voltou a dominar a agenda tecnológica internacional nos últimos dias, impulsionada por novos estudos de mercado, projeções de investimento e sinais claros de que a tecnologia está a entrar numa fase de adoção massiva. Para os leitores portugueses, a questão deixou de ser apenas tecnológica. A dúvida central passou a ser outra: de que forma esta aceleração da IA pode afetar empregos, negócios, produtividade e competitividade económica em Portugal e no espaço lusófono?

Nos últimos sete dias, diversos relatórios apontaram que a IA generativa e os chamados agentes inteligentes se tornaram a principal prioridade tecnológica para empresas em 2026. Ao mesmo tempo, grandes fornecedores globais de computação em nuvem continuam a aumentar os investimentos em infraestruturas dedicadas à IA, numa corrida que envolve milhares de milhões de euros. (FENATI)

O fenómeno não se limita aos Estados Unidos ou à China. Portugal acompanha esta transformação através da digitalização empresarial, da modernização da administração pública e do crescimento do ecossistema tecnológico nacional. Já o Brasil surge como um dos principais mercados digitais da América Latina, criando oportunidades relevantes para empresas portuguesas com interesses no mercado brasileiro. (Folha de S.Paulo)

Porque é que a Inteligência Artificial se tornou a principal prioridade tecnológica

Durante vários anos, a IA foi vista sobretudo como uma ferramenta de experimentação. Muitas empresas testavam soluções automatizadas, mas poucas conseguiam transformar esses testes em ganhos concretos de produtividade. Esse cenário começou a mudar rapidamente.

Um levantamento divulgado esta semana mostra que mais de metade dos executivos empresariais identifica a IA generativa como a principal área de investimento tecnológico para os próximos meses. A tendência é impulsionada pela capacidade da tecnologia para automatizar tarefas, acelerar processos internos e apoiar decisões estratégicas. (FENATI)

O interesse crescente também está ligado à maturidade das ferramentas disponíveis. Plataformas de geração de texto, análise de dados, programação assistida e atendimento automatizado tornaram-se mais acessíveis e mais fáceis de integrar nos sistemas empresariais existentes. Em vez de serem utilizadas apenas por departamentos tecnológicos, começam agora a chegar às áreas comerciais, financeiras, jurídicas e de recursos humanos.

Para Portugal, esta evolução surge num contexto particularmente relevante. O país procura aumentar a produtividade económica e acelerar a digitalização das pequenas e médias empresas. Segundo dados frequentemente utilizados por entidades europeias e nacionais, a transformação digital continua a ser um dos fatores decisivos para reforçar a competitividade das economias europeias.

A relação luso-brasileira também ganha importância neste cenário. Muitas empresas portuguesas operam no mercado brasileiro, enquanto startups brasileiras procuram expandir-se para a Europa através de Portugal. A adoção da IA pode facilitar essa integração, reduzindo custos operacionais e melhorando a comunicação entre equipas distribuídas por diferentes países.

O que esta corrida tecnológica significa para Portugal e para a economia lusófona

Uma das dúvidas mais pesquisadas pelos utilizadores é se a Inteligência Artificial vai substituir empregos. A resposta é mais complexa do que parece. Os estudos mais recentes sugerem que a tecnologia tende a transformar funções existentes antes de as eliminar completamente.

A maior parte das organizações ainda está numa fase intermédia de adoção. Muitas utilizam ferramentas isoladas, mas ainda não redesenharam os seus modelos de negócio em torno da IA. Isso significa que existe uma enorme margem para crescimento nos próximos anos. (Folha de S.Paulo)

Ao mesmo tempo, surgem novas exigências em matéria de qualificação profissional. Empresas em Portugal, no Brasil e no resto da Europa enfrentam dificuldades para encontrar especialistas capazes de implementar, supervisionar e otimizar sistemas de IA. A formação de trabalhadores torna-se, por isso, uma questão estratégica.

Outro fator relevante é a produtividade. Um estudo recente relacionado com a América Latina aponta que a IA pode gerar ganhos significativos de eficiência económica, desde que os países invistam simultaneamente em infraestruturas digitais, energia e qualificação profissional. (Folha de S.Paulo)

Para a comunidade lusófona global, esta transformação representa uma oportunidade rara. O português está entre as línguas mais utilizadas na internet e os modelos de IA estão cada vez mais preparados para trabalhar em português europeu e português do Brasil. Isso abre espaço para novos serviços digitais, produção de conteúdos, educação online e soluções empresariais desenvolvidas especificamente para mercados lusófonos.

Além disso, a crescente integração tecnológica entre Europa e América Latina pode beneficiar empresas portuguesas que atuam como ponte entre os dois continentes.

Os desafios que ainda podem travar a expansão da IA

Apesar do entusiasmo, a corrida à Inteligência Artificial enfrenta obstáculos significativos. O primeiro é a infraestrutura. Os sistemas avançados de IA exigem centros de dados, capacidade computacional e grandes quantidades de energia elétrica para funcionar em larga escala. (ConvergenciaDigital)

Este desafio tem especial relevância na Europa. A União Europeia procura equilibrar inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e soberania digital. Nos próximos anos, países europeus deverão aumentar os investimentos em infraestruturas tecnológicas para reduzir a dependência de fornecedores externos.

Outro problema é a qualidade dos dados utilizados pelas empresas. Muitos projetos falham porque as organizações possuem informação fragmentada, sistemas antigos ou processos internos pouco preparados para a integração da IA. Estudos recentes apontam precisamente a qualidade dos dados e a modernização tecnológica como alguns dos principais entraves à adoção em larga escala. (FENATI)

Também existe uma crescente preocupação com a regulamentação. A Europa avança com regras específicas para a utilização da Inteligência Artificial, procurando garantir transparência, segurança e proteção dos cidadãos. Para empresas portuguesas, compreender estas exigências será tão importante quanto dominar a tecnologia em si.

Por fim, permanece a questão financeira. Os investimentos globais em infraestruturas de IA continuam a crescer a um ritmo sem precedentes, levando alguns analistas a questionar se o retorno económico acompanhará o volume de recursos investidos. (ConvergenciaDigital)

A verdade é que a Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência futura e passou a fazer parte das decisões estratégicas do presente. Para Portugal, para o Brasil e para toda a comunidade lusófona, o desafio não será decidir se a IA terá impacto, mas compreender como aproveitar essa transformação para gerar crescimento económico, inovação e novas oportunidades profissionais numa economia cada vez mais digital.

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