Ministro da Educação pede desculpa por falhas nos exames e cria época especial em setembro

Diego Velázquez
7 Min Read

Fernando Alexandre admite centenas de provas sem nota e enfrenta pedidos de esclarecimento da oposição

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, pediu desculpa publicamente pelas sucessivas falhas registadas no processo de classificação digital dos exames nacionais deste ano, um problema que deixou centenas de provas sem nota e gerou atrasos generalizados na divulgação das classificações. Em conferência de imprensa, o governante garantiu que nenhum aluno será prejudicado, nem nas suas classificações finais, nem no acesso ao ensino superior, e anunciou a criação de uma época especial de exames em setembro para os estudantes que ainda não decidiram se avançam para a segunda fase. O calendário da primeira fase de acesso ao ensino superior, que decorre até 6 de agosto, mantém-se inalterado. A crise, associada à generalização da correção digital das provas, já levou vários partidos da oposição a questionar a atuação de Fernando Alexandre à frente da pasta da Educação.

O que motivou os erros nas classificações

O problema teve origem na generalização, este ano, do modelo de correção digital dos exames nacionais, um sistema implementado após uma experiência-piloto realizada no ano letivo anterior. Segundo o próprio ministro, o erro inicial esteve relacionado com falhas de software na leitura dos códigos QR das provas, um sistema desenvolvido internamente pelo ministério.

Fernando Alexandre reconheceu que, devido a estas falhas, centenas de provas ficaram sem classificação atribuída, surgindo nas pautas com a indicação de suspenso. Segundo o ministro, parte destes casos resultou de exames entregues fora do prazo pelas escolas, da ausência de indicação da versão da prova realizada pelo aluno ou de problemas com folhas de continuação em falta.

O Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, entidade responsável pela classificação das provas, chegou a adiar a divulgação das notas, inicialmente prevista para uma sexta-feira, justificando a decisão com a necessidade de dar prioridade ao tratamento dos exames nacionais do ensino secundário, devido ao calendário do concurso de acesso ao ensino superior.

Ao longo do fim de semana seguinte, continuaram a surgir relatos de atrasos na chegada dos ficheiros às escolas, obrigando vários professores a corrigir as mesmas provas mais do que uma vez, segundo reconheceu o próprio ministro em entrevista televisiva.

A resposta do Governo e as garantias dadas aos alunos

Em conferência de imprensa, Fernando Alexandre assegurou que a prioridade do ministério continua a ser garantir “total equidade e transparência em todo o processo”, reiterando o compromisso do Governo com a proteção dos direitos de todos os alunos envolvidos nos exames nacionais.

O ministro anunciou a criação de uma época especial de exames em setembro, destinada aos estudantes que, devido à confusão gerada pelas falhas, ainda não tinham decidido se avançariam para a segunda fase de provas. O calendário da primeira fase de acesso ao ensino superior, que decorre até 6 de agosto, mantém-se sem alterações.

Questionado sobre a manutenção da taxa de 25 euros cobrada para pedidos de reapreciação de provas, mesmo perante os erros reconhecidos pelo próprio ministério, Fernando Alexandre defendeu o valor, classificando-o como “taxa moderadora” necessária ao funcionamento do sistema.

O governante agradeceu ainda o trabalho de diretores, professores e restantes profissionais envolvidos na organização e classificação dos exames, garantindo que os docentes serão pagos pelas horas extraordinárias realizadas durante o processo, sem no entanto revelar o montante total previsto para este efeito.

As críticas da oposição e o desgaste político do ministro

As falhas nos exames nacionais tornaram-se, nas últimas semanas, um dos temas mais debatidos na política nacional, com vários partidos da oposição a criticar publicamente a atuação de Fernando Alexandre à frente do Ministério da Educação.

A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, acusou o ministro de manter uma postura de teimosia ao longo de todo o processo de correção digital, considerando que Fernando Alexandre insistiu em avançar com a generalização do sistema sem garantias de que as falhas identificadas na fase piloto estivessem resolvidas.

O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, considerou que o Governo agiu de forma imprudente e recordou que os alertas do PS sobre o processo tinham fundamento, embora não tenha pedido diretamente a demissão do ministro, remetendo essa decisão para o primeiro-ministro Luís Montenegro.

Já o Partido Comunista Português criticou a falta de respostas dadas aos alunos com notas suspensas, com a líder do grupo parlamentar do PCP, Paula Santos, a classificar a situação como muito preocupante e a apontar responsabilidades tanto ao ministro como ao restante Executivo.

A crise em torno dos exames nacionais deverá continuar a marcar a agenda política nas próximas semanas, à medida que o Ministério da Educação avança com a auditoria anunciada para apurar as causas exatas das falhas registadas. Para Fernando Alexandre, o desafio passa agora por garantir que o processo da segunda fase de exames decorra sem os mesmos constrangimentos, evitando novo desgaste junto de alunos, famílias e professores. A oposição, por seu lado, promete continuar a acompanhar de perto o desfecho do processo, deixando em aberto a possibilidade de novas iniciativas parlamentares caso os problemas se repitam nas próximas semanas.

Fontes:
Executive Digest | Correio da Manhã | ECO | Rádio Renascença | Diário de Notícias

Compartilhar esse artigo
Deixe um comentário