PSD acusa PS de “assustar os portugueses” no debate sobre a Segurança Social

Thomas Norford
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Hugo Soares acusa os socialistas de “agitar fantasmas” sobre uma eventual privatização e garante que o Governo afastou uma reforma estrutural nesta legislatura.

Hugo Soares acusa PS de alimentar receios sobre a Segurança Social

O secretário-geral do PSD e líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, acusou o PS de estar a “agitar fantasmas” em torno de uma eventual privatização da Segurança Social para assustar os portugueses. As declarações foram feitas na segunda-feira, 24 de agosto, durante a abertura da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, e surgiram depois de vários dias de polémica política em torno de um estudo sobre o futuro do sistema de pensões. Segundo Hugo Soares, o Governo já afastou a possibilidade de avançar com uma reforma estrutural da Segurança Social durante a atual legislatura. (RTP)

O dirigente social-democrata procurou, assim, responder diretamente às críticas do PS, que tinha acusado o Executivo de provocar medo entre a população com a discussão sobre possíveis mudanças no sistema. Para Hugo Soares, continuar a levantar a hipótese de privatização depois das garantias dadas pelo Governo representa uma tentativa de criar insegurança política num tema particularmente sensível para reformados e trabalhadores. A Segurança Social tornou-se, desta forma, um novo ponto de confronto entre Governo e oposição, com cada lado a responsabilizar o outro pelo clima de preocupação criado em torno das pensões. (RTP)

Governo diz ter colocado uma “pedra” sobre uma reforma estrutural

No centro da polémica está o estudo apresentado sobre o futuro da Segurança Social e a sustentabilidade do sistema de pensões. Hugo Soares recordou que, no próprio dia em que o documento foi apresentado, o Governo anunciou que não iria realizar uma reforma estrutural da Segurança Social nesta legislatura. Na interpretação do dirigente do PSD, essa posição deveria ter encerrado as especulações sobre uma eventual alteração profunda do modelo atualmente existente. (5 News)

A questão, contudo, permanece politicamente relevante porque qualquer discussão sobre pensões, contribuições ou sustentabilidade financeira tem impacto direto em milhões de portugueses. Mesmo quando um estudo não corresponde automaticamente a uma proposta do Governo, as hipóteses nele analisadas podem provocar dúvidas sobre aquilo que poderá acontecer no futuro. É precisamente essa diferença entre um documento de análise e uma decisão política concreta que está agora no centro da disputa entre PSD e PS.

PS acusa Executivo de colocar “medo às pessoas”

Do outro lado do confronto, o Partido Socialista acusa o Governo de ter contribuído para criar insegurança ao permitir que determinadas hipóteses sobre o futuro da Segurança Social entrassem no debate público. A RTP noticiou, em 24 de agosto, que o PS acusou diretamente o Executivo de “colocar medo às pessoas” através da discussão desencadeada pelo relatório. O partido procura apresentar-se como defensor do modelo público e das garantias associadas às pensões, exigindo esclarecimentos sobre aquilo que o Governo pretende fazer nos próximos anos. (RTP)

A troca de acusações mostra que o tema ultrapassou rapidamente a discussão técnica sobre sustentabilidade financeira. Para os socialistas, é necessário garantir que os portugueses não ficam perante dúvidas sobre os seus direitos futuros; para o PSD, a oposição está a explorar politicamente cenários que o Governo já afastou para a presente legislatura. Essa divergência deverá manter a Segurança Social entre os assuntos mais debatidos da política portuguesa, sobretudo porque envolve trabalhadores que descontam atualmente e cidadãos que já recebem uma pensão.

PSD também endurece críticas a José Luís Carneiro e André Ventura

Hugo Soares aproveitou a intervenção na Universidade de Verão para ampliar as críticas à oposição. O secretário-geral do PSD afirmou que José Luís Carneiro, líder do PS, e André Ventura, presidente do Chega, estão “cada vez mais parecidos”, acusando os dois dirigentes de navegarem no populismo e de demonstrarem impreparação para constituírem alternativas ao atual Governo da AD. (Sáao)

A estratégia coloca PS e Chega no mesmo campo de crítica política apesar das profundas diferenças ideológicas entre os dois partidos. Ao fazê-lo, o PSD procura defender o Executivo de Luís Montenegro e apresentar a atuação governamental como uma posição de estabilidade perante as críticas das duas maiores forças da oposição. O debate sobre a Segurança Social tornou-se, por isso, também uma oportunidade para os sociais-democratas reforçarem a disputa política com os seus principais adversários.

O assunto deverá continuar a provocar discussão mesmo depois de o Governo ter afastado uma reforma estrutural nesta legislatura. A sustentabilidade da Segurança Social permanece uma questão de longo prazo e qualquer estudo que apresente alternativas ao atual modelo tende a gerar forte atenção pública. Para os cidadãos, a principal distinção neste momento é que as hipóteses discutidas no relatório não significam automaticamente que essas medidas serão aplicadas pelo Executivo. A posição pública transmitida pelo PSD é precisamente a de que uma reforma estrutural não avançará nesta legislatura, enquanto o PS continua a exigir garantias e esclarecimentos sobre o futuro do sistema. (RTP)

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