Empresas portuguesas disputam especialistas em IA e salários podem chegar aos 80 mil euros

Thomas Norford
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Escassez de profissionais especializados em inteligência artificial está a aumentar a competição pelo talento e a valorizar salários no mercado tecnológico português.

Procura por especialistas em inteligência artificial aumenta em Portugal

As empresas portuguesas estão a intensificar a procura por profissionais especializados em inteligência artificial (IA), mas encontrar trabalhadores com experiência prática tornou-se um dos principais desafios do setor tecnológico. Competências relacionadas com machine learning, IA generativa, grandes modelos de linguagem (LLM), dados e engenharia de IA estão entre as mais valorizadas, sobretudo quando os candidatos conseguem demonstrar experiência na aplicação destas tecnologias em projetos empresariais. (Diário de Notícias)

A dificuldade em preencher estas posições está a criar uma competição crescente entre empresas. A transformação digital deixou de estar concentrada apenas em departamentos de tecnologias de informação e passou a chegar a áreas como finanças, vendas, atendimento ao cliente, análise de dados e operações. Ao mesmo tempo, a utilização de IA generativa no trabalho em Portugal passou de 34% em 2024 para 62% em 2026, segundo dados do Guia Hays 2026 divulgados pela IT Insight. Entre as empresas, 52% já promovem a utilização destas ferramentas, contra 27% dois anos antes. (IT Insight)

Salários de profissionais de IA podem chegar aos 80 mil euros

A escassez de especialistas está também a refletir-se diretamente nas remunerações oferecidas pelas empresas. De acordo com dados publicados pelo Dinheiro Vivo, profissionais de IA com experiência relevante podem encontrar propostas entre 30 mil e 40 mil euros anuais nos níveis mais juniores. Para quem já possui alguma experiência, os valores podem subir para uma faixa entre 40 mil e 60 mil euros por ano. (Diário de Notícias)

Nos perfis séniores ou altamente especializados, as remunerações podem atingir entre 60 mil e 80 mil euros anuais. Os valores variam conforme a experiência, especialização e características da função, pelo que não significam que todos os trabalhadores da área recebam estes montantes. Ainda assim, mostram como determinadas competências tecnológicas estão a ser valorizadas num mercado em que a oferta de profissionais qualificados continua abaixo das necessidades de algumas empresas. (Diário de Notícias)

Machine learning, GenAI e dados estão entre as competências mais procuradas

A diferença salarial torna-se particularmente relevante quando os profissionais possuem experiência comprovada em áreas consideradas estratégicas. Machine learning, GenAI, LLMs, engenharia de dados e AI engineering são algumas das competências mencionadas entre aquelas capazes de elevar a valorização de um candidato. Mais do que saber utilizar ferramentas populares de inteligência artificial, as organizações procuram pessoas capazes de integrar estas tecnologias em produtos, processos e sistemas empresariais. (Diário de Notícias)

O crescimento da utilização empresarial ajuda a explicar essa necessidade. Segundo o Guia Hays 2026, empresas e profissionais portugueses identificam ganhos de produtividade e eficiência entre os principais benefícios da IA generativa. Contudo, o mesmo levantamento alerta para um problema: a formação dos trabalhadores não está necessariamente a acompanhar a velocidade de adoção da tecnologia. Isso cria uma diferença entre simplesmente utilizar IA e possuir competências avançadas para desenvolver, implementar ou supervisionar sistemas baseados nesta tecnologia. (IT Insight)

Portugal procura reforçar formação e atração de talento em IA

A escassez de especialistas já ultrapassou o debate interno das empresas e entrou também na estratégia pública portuguesa. A Agenda Nacional de Inteligência Artificial prevê medidas destinadas a aproximar estudantes, investigadores, empresas, startups e Administração Pública, incluindo uma plataforma nacional para ligar talento especializado às organizações que necessitam destes profissionais. O Governo anunciou ainda planos para acelerar a atração de especialistas internacionais através de uma iniciativa designada AI Fast Track. (ECO)

Para trabalhadores e estudantes portugueses, o cenário abre oportunidades, mas também evidencia uma mudança importante no perfil procurado pelas empresas. O mercado está a premiar conhecimentos técnicos especializados e experiência real na implementação de inteligência artificial, em vez de apenas familiaridade com ferramentas de IA generativa. Com as organizações a integrarem cada vez mais estas soluções no trabalho diário, profissionais capazes de desenvolver modelos, gerir dados, implementar sistemas e avaliar resultados poderão continuar entre os perfis mais disputados do setor tecnológico português. (Diário de Notícias)

Fontes: Dinheiro Vivo — Empresas querem contratar profissionais em IA que quase não existem · IT Insight — Utilização de IA generativa no trabalho duplica em Portugal · ECO — Portugal acelera medidas para atrair especialistas em inteligência artificial

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