O fim do desperdício na construção está próximo?

Thomas Norford
5 Min Read

Guilherme Campos, empresário e promotor imobiliário, acompanha um setor em que os desperdícios podem afetar diretamente os custos, os prazos e os resultados. Na construção civil, materiais adquiridos em excesso, erros de execução, retrabalho e planeamento insuficiente representam perdas que vão além do orçamento inicial. A procura por processos mais precisos começa a mudar esta realidade e coloca a eficiência no centro das decisões de novos projetos.

Leia mais a seguir!

Onde começa o desperdício numa obra?

O desperdício na construção nem sempre surge sob a forma de uma pilha de materiais descartados. Também pode ocorrer quando uma equipa precisa de refazer uma etapa, quando uma entrega chega antes do momento previsto, quando as medidas são calculadas incorretamente ou quando diferentes profissionais trabalham sem informação devidamente articulada. Pequenas falhas, repetidas ao longo de uma obra, podem produzir impactos relevantes.

Outro ponto está na própria organização do estaleiro. Materiais mal armazenados podem sofrer danos, enquanto compras sem planeamento podem gerar excesso de stock ou falta de itens essenciais. Em ambos os casos, o problema ultrapassa o material perdido e afeta o calendário, a mão de obra e a necessidade de reorganizar etapas. Como destaca Guilherme Campos, a desorganização também pode dificultar o controlo sobre aquilo que já foi utilizado e o que ainda será necessário, aumentando as probabilidades de novas compras ou movimentações desnecessárias.

Por isso, reduzir desperdícios começa antes da construção propriamente dita. Projetos mais detalhados, calendários coerentes e comunicação entre os envolvidos permitem identificar problemas antes de estes chegarem à fase de execução. A eficiência passa a depender menos de correções durante a obra e mais da capacidade de antecipar situações. Esta preparação também facilita o acompanhamento dos custos e permite que eventuais alterações sejam avaliadas antes de afetarem etapas já iniciadas.

A tecnologia pode tornar a obra mais precisa?

A digitalização da construção abre espaço para acompanhar informações que anteriormente ficavam dispersas entre plantas, folhas de cálculo e diferentes equipas. Modelos digitais, ferramentas de planeamento e sistemas de acompanhamento podem facilitar a visualização das etapas e reduzir conflitos entre projetos. Quanto mais previsível for a execução, menor tende a ser a necessidade de improvisos.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

Segundo Guilherme Campos, esta mudança também interfere na utilização dos materiais. Quando quantidades, medidas e etapas são planeadas com maior precisão, torna-se possível comprar de acordo com as necessidades reais e acompanhar o consumo durante a execução. O objetivo não é eliminar completamente as perdas, algo pouco realista em qualquer obra, mas reduzir aquelas que são provocadas por falhas evitáveis.

O planeamento consegue evitar o retrabalho?

O retrabalho está entre os problemas que mais evidenciam a relação entre planeamento e desperdício. Uma parede construída fora das especificações, uma instalação incompatível com o projeto ou uma alteração feita tardiamente podem exigir demolição e uma nova execução. Neste processo, são novamente consumidos materiais, horas de trabalho e tempo previsto no calendário. Além do impacto financeiro, o retrabalho pode interferir noutras etapas que dependem daquela execução, criando atrasos sucessivos.

Uma forma de enfrentar este problema é aproximar as diferentes fases do projeto antes do início da execução. Arquitetura, estrutura, instalações e orçamento precisam de estar articulados para que as incompatibilidades sejam identificadas antecipadamente. Quanto mais tarde um erro for descoberto, maior tende a ser o custo da sua correção. Esta integração permite comparar informações e verificar se as soluções previstas podem ser executadas de forma compatível.

Esta lógica é especialmente relevante em grandes empreendimentos. O aumento da escala amplia tanto as possibilidades de ganhos de eficiência como os impactos de uma falha. Guilherme Campos considera que as decisões tomadas na fase de planeamento podem influenciar diretamente a capacidade de executar projetos com maior controlo sobre recursos, prazos e custos. Em projetos de maior dimensão, uma pequena inconsistência pode repetir-se em diferentes unidades ou etapas, ampliando os seus efeitos sobre o resultado final.

Quer acompanhar mais conteúdos sobre desenvolvimento urbano, mercado imobiliário, empreendedorismo e investimentos? Siga Guilherme Campos no Instagram: @guicamposvlg.

Compartilhar esse artigo
Deixe um comentário