Fuga de amoníaco em festa nas Docas de Leixões deixa feridos e leva à evacuação do recinto

Diego Velázquez
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Incidente ocorreu numa fábrica de gelo da Docapesca em Matosinhos, durante evento com cerca de mil pessoas

Uma fuga de amoníaco na fábrica de gelo da Docapesca, no Porto de Leixões, em Matosinhos, provocou pelo menos um ferido ligeiro e obrigou à evacuação de um recinto onde decorria um evento com cerca de mil pessoas, na noite de sexta-feira para sábado. O alerta foi dado pelas 22h55 e, cerca de três horas depois, ainda se encontravam no local 42 operacionais, apoiados por 18 viaturas, segundo dados da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. A Polícia de Segurança Pública do Porto indicou que a fuga terá sido despoletada por uma explosão num frigorífico da instalação. O incidente ocorreu precisamente durante o arranque das tradicionais Festas do Mártir São Sebastião, padroeiro dos pescadores, que decorrem todos os anos na zona de Matosinhos, levando ao cancelamento de alguns concertos programados por questões de segurança.

Como aconteceu e a resposta imediata das autoridades

O alerta para a fuga de amoníaco foi dado às 22h55 de sexta-feira, junto à fábrica de gelo da Docapesca, situada no Porto de Leixões. Segundo fonte dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça, citada pela agência Lusa, a ocorrência esteve associada a uma falha na instalação frigorífica da unidade, que liberta este gás utilizado no processo de refrigeração.

De acordo com a Polícia de Segurança Pública do Porto, a fuga terá sido provocada por uma explosão num dos frigoríficos da fábrica. A proximidade da instalação com um recinto onde decorria um evento com cerca de mil pessoas levou à evacuação imediata do espaço, por precaução, enquanto as equipas de socorro avaliavam a extensão do problema.

Por volta da 1h20 de sábado, fonte do Comando Sub-regional da Área Metropolitana do Porto confirmou à Lusa que pelo menos uma pessoa ficou ferida de forma ligeira, tendo sido encaminhada para tratamento hospitalar. Não foram avançados dados sobre outras vítimas ou sobre a gravidade dos ferimentos registados durante a noite.

Cerca de duas horas depois do alerta inicial, o local ainda contava com 42 operacionais no terreno, apoiados por 18 viaturas de diferentes corporações, um número que reflete a dimensão da resposta mobilizada para controlar a fuga e garantir a segurança das pessoas que se encontravam na zona do evento.

O impacto nas Festas do Mártir São Sebastião

O incidente ocorreu numa altura particularmente sensível para a comunidade piscatória de Matosinhos, já que a zona das docas estava a receber o arranque das tradicionais Festas do Mártir São Sebastião, padroeiro dos pescadores, um dos eventos mais aguardados do calendário local.

Por razões de segurança, alguns dos concertos que estavam programados para decorrer na área afetada acabaram por ser suspensos, uma decisão tomada ainda durante a noite de sexta-feira, à medida que as equipas de emergência avaliavam os riscos associados à fuga de amoníaco.

Publicações nas redes sociais davam conta de várias vítimas no local, embora os dados confirmados pelas autoridades apontassem, até ao momento, para apenas um ferido ligeiro, o que ilustra a confusão inicial frequentemente associada a este tipo de ocorrências em grandes eventos públicos.

A organização das festas não avançou, para já, se os concertos suspensos serão remarcados para outras datas, nem qual foi o impacto financeiro da interrupção do programa, que costuma atrair milhares de visitantes à zona ribeirinha de Matosinhos ao longo de vários dias.

Os riscos associados a fugas de amoníaco em instalações industriais

O amoníaco é um gás amplamente utilizado em sistemas de refrigeração industrial, precisamente pela sua eficiência no arrefecimento, mas que representa riscos significativos para a saúde em caso de fuga, sobretudo em espaços fechados ou pouco ventilados, podendo causar irritação respiratória e ocular em concentrações elevadas.

Fábricas de gelo e unidades ligadas à indústria da pesca, como a Docapesca, recorrem com frequência a este tipo de sistema, o que torna estas instalações particularmente vigiadas pelas autoridades de proteção civil, sobretudo quando estão localizadas perto de zonas com grande afluência de pessoas.

Nestes casos, o procedimento habitual passa pela evacuação preventiva da área afetada, a ventilação do espaço e a monitorização da concentração do gás no ar, até que as equipas técnicas considerem seguro o regresso à normalidade, um processo que pode demorar várias horas, consoante a dimensão da fuga.

O episódio nas Docas de Leixões deverá agora ser alvo de averiguação por parte das autoridades competentes, de forma a apurar as causas exatas da explosão que terá originado a fuga, bem como a verificar se os procedimentos de segurança da instalação estavam a ser cumpridos.

A fuga de amoníaco na fábrica de gelo da Docapesca acabou por ser controlada ainda durante a madrugada de sábado, sem que tenham sido divulgados dados sobre feridos graves. O episódio, ocorrido durante um dos eventos mais concorridos do calendário de Matosinhos, serve de lembrete sobre os riscos associados a instalações industriais situadas perto de espaços de grande afluência pública. Resta agora às autoridades esclarecer as causas exatas da explosão que despoletou o incidente e decidir se a Docapesca terá de rever os seus procedimentos de segurança, de forma a evitar situações semelhantes em futuras edições das festas.

Fontes:
Observador | Executive Digest

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