Furiosa AI instala servidores em Lisboa e reforça aposta de Portugal na corrida aos chips de IA

Diego Velázquez
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Depois de abrir sede europeia na capital portuguesa, sul-coreana instala infraestrutura em centro de dados no Prior Velho.

Portugal continua a ganhar espaço no mapa europeu dos semicondutores dedicados à inteligência artificial. A sul-coreana Furiosa AI, que já tinha instalado a sua sede europeia em Lisboa em maio, anunciou agora a instalação dos seus servidores mais recentes no centro de dados da Equinix, localizado no Prior Velho, na área metropolitana da capital. A empresa, especializada em chips de elevada eficiência energética para aplicações de inteligência artificial, apresenta este passo como um reforço da sua presença na Europa, numa altura em que a procura por infraestrutura de IA eficiente continua a acelerar em todo o continente. Muitas pessoas ligadas ao setor tecnológico querem perceber o que muda, na prática, com esta instalação e por que motivo Lisboa se tornou destino escolhido por uma empresa que compete diretamente com gigantes como a Nvidia.

O que significa a nova instalação da Furiosa AI em Lisboa

Segundo comunicado da própria empresa, a infraestrutura instalada no centro de dados da Equinix vai permitir que empresas europeias avaliem, em primeira mão, o desempenho e a facilidade de utilização da arquitetura da Furiosa nos modelos de inteligência artificial mais avançados atualmente disponíveis. Cada servidor instalado suporta até oito dos aceleradores mais recentes da empresa, equipamento construído especificamente para maximizar a densidade de computação necessária ao treino e à execução de modelos de IA de grande dimensão.

Esta expansão surge poucos meses depois de a Furiosa AI ter escolhido Lisboa para instalar a sua sede europeia, decisão então justificada pela empresa com a qualidade do ecossistema português no desenho de chips, a disponibilidade de especialistas em compiladores e a existência de instituições académicas de referência internacional na área. A liderança da operação europeia ficou a cargo de Nuno Lopes, professor no Instituto Superior Técnico e antigo investigador da Apple e da Microsoft Research, o que reforça a ligação entre a investigação académica portuguesa e a aplicação industrial da tecnologia.

De acordo com a empresa, a equipa em Lisboa inclui já um número crescente de investigadores e engenheiros especializados em compiladores e no desenvolvimento de chips, o que permite posicionar a capital portuguesa dentro da estrutura global da Furiosa AI. Este pormenor é relevante porque mostra que o investimento não se limita a uma presença comercial ou administrativa, mas envolve também funções de investigação e desenvolvimento com peso real na estratégia da empresa a nível mundial.

A escolha do centro de dados da Equinix no Prior Velho não é indiferente. Trata-se de uma infraestrutura já estabelecida no mercado português de data centers, o que permite à Furiosa AI avançar rapidamente sem necessidade de construir instalações próprias de raiz, reduzindo o tempo entre a decisão estratégica e a disponibilização efetiva de capacidade computacional para clientes europeus interessados em testar a tecnologia.

Que parcerias e planos futuros estão associados a esta expansão

Para além da instalação em Lisboa, a Furiosa AI revelou ter estabelecido recentemente uma parceria com a Broadcom, gigante norte-americana de semicondutores, com o objetivo de desenvolver a terceira geração dos seus chips. O propósito declarado desta colaboração é conseguir um desempenho superior ao dos modelos anteriores na execução dos maiores e mais exigentes modelos de inteligência artificial atualmente em desenvolvimento em todo o mundo.

Esta não é a única ligação relevante da empresa sul-coreana à cadeia global de semicondutores: a Furiosa AI colabora também com nomes como a TSMC e a SK Hynix, dois dos maiores fabricantes mundiais de componentes eletrónicos avançados. Estas parcerias colocam a operação lisboeta dentro de uma rede internacional que envolve alguns dos maiores intervenientes da indústria tecnológica global, o que reforça a relevância estratégica da escolha por Portugal.

Do ponto de vista do mercado, a empresa posiciona-se como alternativa às unidades de processamento gráfico tradicionais, mais conhecidas pela sigla GPU, prometendo maior eficiência energética e menores custos de infraestrutura para empresas que precisam de correr modelos de inteligência artificial em grande escala. Esta proposta ganha particular relevância num momento em que o custo energético associado ao treino e à utilização de modelos de IA se tornou uma das principais preocupações de empresas e governos em toda a Europa.

Por que Lisboa se tornou uma aposta na estratégia europeia de semicondutores

A instalação da Furiosa AI em Portugal insere-se num contexto mais amplo, em que a União Europeia tem procurado reforçar a sua autonomia tecnológica no domínio dos semicondutores e da inteligência artificial, através de programas como o InvestAI e as chamadas AI Gigafactories. Neste enquadramento, a presença de uma empresa especializada em chips de IA em solo português contribui para posicionar o país como parte ativa desta estratégia continental, e não apenas como mercado consumidor de tecnologia desenvolvida noutros países.

A escolha de Lisboa, segundo explicações anteriores da própria empresa, resultou de uma análise comparativa entre diversas cidades europeias, com Portugal a destacar-se pela qualidade e dimensão do seu ecossistema de desenho de chips, pela disponibilidade de especialistas em compiladores e por condições consideradas favoráveis ao investimento estrangeiro nesta área específica. Estes fatores, associados à presença de energia limpa nos centros de dados nacionais, ajudam a explicar por que motivo o país tem vindo a atrair este tipo de investimento tecnológico de elevado valor acrescentado.

Para o ecossistema tecnológico português, casos como este contribuem para consolidar Lisboa como destino relevante para empresas internacionais especializadas em componentes de elevado desempenho para inteligência artificial, um setor que continua a atrair investimento global significativo e que tem sido identificado por responsáveis do setor, incluindo dirigentes de organizações como a Startup Portugal, como estratégico para o posicionamento do país na economia digital dos próximos anos.

A expansão da Furiosa AI em Lisboa confirma uma tendência que já vinha a desenhar-se desde a abertura da sede europeia, em maio: Portugal está a conseguir atrair não apenas escritórios comerciais, mas também capacidade técnica e de investigação ligada diretamente ao desenvolvimento de chips de inteligência artificial. Com parcerias estabelecidas junto de nomes como a Broadcom, a TSMC e a SK Hynix, e uma equipa local em crescimento, a operação lisboeta da empresa sul-coreana surge como um exemplo concreto de como o país pode posicionar-se numa das áreas mais competitivas e estrategicamente relevantes da tecnologia global, num momento em que a Europa procura reduzir a sua dependência de fornecedores externos de semicondutores.

Fontes: https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/tecnologias/detalhe/depois-da-sede-sul-coreana-furiosa-ai-instala-capacidade-em-lisboa | https://www.publico.pt/2026/04/16/enter/noticia/furiosa-ai-instala-sede-europeia-lisboa-desenhar-chips-inteligencia-artificial-2171498 | https://www.apdc.pt/noticias/atualidade-nacional/furiosa-ai-estabelece-sede-europeia-em-portugal

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