Como aponta o fundador Ian Cunha, o SUS e a inovação só se encontram de forma consistente quando a inovação é tratada como método de escala, não como exceção heroica. O sistema público brasileiro já produz boas práticas em muitos territórios, porém o desafio real é transformar ilhas de excelência em padrão repetível. Escalar no SUS é diferente de “replicar um projeto”. O sistema é heterogêneo, com realidades regionais distintas, capacidades variáveis e diferentes níveis de maturidade de gestão.
Por isso, a inovação precisa ser desenhada para funcionar em ambientes diversos, sem depender de pessoas extraordinárias ou condições raras. Se você quer entender como escalar sem perder qualidade, continue a leitura.
O risco da inovação episódica: Por que boas práticas não viram padrão?
Como pontua o CEO Ian Cunha, muitas iniciativas nascem com energia alta, patrocínio local e resultados promissores. Só que, sem estrutura, elas morrem quando muda a liderança, quando a equipe se reorganiza ou quando o financiamento é interrompido. Esse é o risco da inovação episódica: ela existe como evento, não como sistema.

Para que SUS e inovação avancem juntos, é necessário reduzir a dependência de heróis. Em vez de ficar preso a projetos que funcionam porque “alguém muito bom tocou”, o sistema precisa capturar o que foi feito, traduzir em processo e tornar a prática reproduzível. Assim, a qualidade deixa de ser exceção.
Escalar com consistência: Protocolo, treinamento e governança
Boas práticas se tornam escaláveis quando viram rotina, não quando viram propaganda. Isso exige protocolos claros, capacitação contínua e mecanismos de acompanhamento. Protocolo não é engessamento; é proteção contra variação excessiva.
Treinamento também é parte do desenho. Como considera o fundador Ian Cunha, em sistemas com rotatividade e com pressões operacionais, a aprendizagem precisa ser incorporada ao cotidiano. Além disso, a governança define o que é “qualidade mínima aceitável” e como corrigir desvios. Sem isso, escalar significa apenas espalhar inconsistência.
Medir para aprender sem distorcer
Escala exige aprendizado. E o aprendizado exige dados confiáveis. Quando a informação é fraca, o sistema não consegue distinguir o que funcionou do que apenas pareceu funcionar. Portanto, dados consistentes ajudam a identificar resultados, entender efeitos colaterais e ajustar modelos.
No SUS, como destaca o CEO Ian Cunha, a inovação também precisa respeitar a realidade de registro e infraestrutura. Soluções que dependem de dados perfeitos podem falhar na ponta. Logo, o desenho precisa ser robusto o suficiente para operar com limitações, sem perder o núcleo de qualidade.
Adaptação sem deformação: O desafio de respeitar contexto local
O SUS é, por natureza, territorial. O que funciona em uma região pode precisar de ajustes em outra. O ponto crítico é evitar que adaptação vire deformação. Adaptar é manter o princípio e ajustar o formato. Deformar é perder o princípio.
SUS e inovação funcionam melhor quando há um núcleo comum, com espaço para ajustes locais. Assim, a prática mantém identidade, mas ganha aderência. Em última análise, escala bem feita não ignora o contexto; ela o incorpora sem destruir a proposta.
Como escalar boas práticas sem perder qualidade?
O SUS e a inovação avançam quando boas práticas deixam de ser episódios e viram sistemas: protocolos claros, treinamento, governança, dados e adaptação responsável ao território. Escalar sem perder qualidade significa reduzir a variação onde ela prejudica e permitir flexibilidade onde ela fortalece.
Quando a inovação vira método, o SUS não depende de sorte para funcionar bem. Como resume o superintendente geral Ian Cunha, ele passa a aprender com o que dá certo e a transformar excelência em padrão, que é o objetivo real de um sistema público em grande escala.
Autor: Latos Tyrson