Quando o consenso de mercado se torna um risco e não uma segurança

Latos Tyrson
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Alex Nabuco dos Santos analisa quando o consenso de mercado deixa de ser segurança.

Alex Nabuco dos Santos destaca que o consenso, embora confortável, nem sempre é sinônimo de decisão segura no mercado imobiliário. Em muitos momentos do ciclo, aquilo que “todo mundo acredita” já está plenamente refletido nos preços, reduzindo a margem de segurança e ampliando o risco oculto. O consenso tranquiliza, mas também pode anestesiar a análise crítica, levando a escolhas que parecem óbvias no presente e problemáticas no futuro.

O risco do consenso não está em errar sempre, mas em errar junto. Quando todos partem das mesmas premissas e utilizam as mesmas referências, a diversidade de leitura desaparece. O mercado passa a se mover de forma homogênea, o que aumenta a sensibilidade a qualquer mudança de cenário.

O conforto psicológico do consenso

O consenso oferece conforto psicológico. Decidir alinhado à maioria reduz o medo de errar sozinho. Caso algo dê errado, a sensação é de que “ninguém poderia ter previsto”. Conforme analisa Alex Nabuco dos Santos, esse conforto emocional muitas vezes pesa mais do que a análise racional, especialmente em mercados aquecidos.

Esse mecanismo explica por que determinadas regiões, tipologias ou estratégias se tornam unanimidade em certos momentos. O consenso cria validação social, que substitui o questionamento técnico. A decisão deixa de ser “isso faz sentido?” e passa a ser “isso está funcionando para todos”.

Quando o preço absorve o consenso

Um dos principais problemas surge quando o consenso já foi absorvido pelo preço. À medida que muitos agentes buscam o mesmo tipo de ativo, a competição comprime retornos e elimina margem de erro. Alex Nabuco dos Santos frisa que quanto maior for o consenso, menor tende a ser o prêmio pelo risco assumido.

Nesse ponto, o ativo não precisa performar mal para gerar frustração. Basta que entregue exatamente o que o consenso prometia. Como o preço já embutiu expectativas elevadas, qualquer desempenho apenas regular se transforma em decepção. O risco está menos no colapso e mais na mediocridade do resultado.

Consenso de mercado como risco em decisões avaliadas por Alex Nabuco dos Santos.
Consenso de mercado como risco em decisões avaliadas por Alex Nabuco dos Santos.

Consenso e cegueira seletiva

Outro efeito relevante do consenso é a cegueira seletiva. Informações que confirmam a visão dominante são amplificadas, enquanto sinais contrários são ignorados ou relativizados

Indicadores de saturação, perda de liquidez ou mudança de perfil da demanda costumam ser tratados como exceções temporárias. O consenso cria narrativa protetora, que adia ajustes necessários. Quando a realidade se impõe, a correção tende a ser mais brusca, justamente porque o mercado demorou a reconhecê-la.

Consenso não elimina risco, apenas o distribui

Há uma percepção equivocada de que estar no consenso reduz risco. Na prática, o risco não desaparece, apenas se distribui entre muitos agentes. Alex Nabuco dos Santos esclarece que, quando todos estão posicionados da mesma forma, a saída se torna mais difícil.

Em momentos de ajuste, a liquidez some exatamente onde o consenso era mais forte. Muitos tentam sair ao mesmo tempo, pressionando preços e alongando negociações. O risco que parecia diluído se concentra, e a segurança aparente se revela frágil.

A diferença entre consenso informado e consenso automático

Nem todo consenso é problemático. Existe diferença entre consenso informado e consenso automático. O primeiro surge após análise profunda, com reconhecimento claro de riscos e limitações. O segundo nasce da repetição acrítica de argumentos.

Alex Nabuco dos Santos evidencia que o perigo está no consenso automático, aquele que dispensa explicação detalhada. Quando a justificativa para uma decisão se resume a “o mercado está indo nessa direção”, o sinal de alerta deve acender. Decisões sólidas exigem mais do que alinhamento, exigem fundamento próprio.

Onde o consenso costuma errar primeiro

O consenso costuma errar primeiro na leitura de timing. Ele entra tarde e sai tarde. Quando uma tendência se torna unanimidade, grande parte do movimento inicial já ocorreu. Da mesma forma, quando o consenso muda de opinião, boa parte do ajuste já está em curso.

Imóveis comprados no auge do consenso tendem a depender de continuidade perfeita do cenário. Qualquer desvio afeta retorno e liquidez. Já decisões tomadas antes ou fora do consenso costumam oferecer mais flexibilidade estratégica.

A importância da discordância bem fundamentada

Discordar do consenso não significa adotar posição contrária por princípio. Significa testar premissas, buscar assimetrias e avaliar se o preço ainda compensa o risco. Segundo Alex Nabuco dos Santos, a discordância bem fundamentada é uma das maiores fontes de vantagem no mercado imobiliário.

Essa postura não elimina erros, mas reduz a dependência de cenários ideais. Ela permite entrar com mais margem de segurança ou simplesmente ficar de fora quando o consenso não oferece retorno compatível.

Segurança real nasce da análise própria

A verdadeira segurança não vem de concordar com a maioria, mas de compreender profundamente a decisão tomada. Quando o investidor sabe exatamente por que comprou, quais riscos aceitou e em que condições mudaria de posição, o consenso perde poder.

Alex Nabuco dos Santos conclui que decisões imobiliárias maduras reconhecem o consenso como informação, não como guia. Ele pode sinalizar tendências, mas não deve substituir análise própria. Em muitos casos, a maior proteção patrimonial está justamente em saber quando o consenso deixou de ser abrigo e passou a ser risco.

Autor: Latos Tyrson

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